domingo, 23 de novembro de 2008

E escorre para fora dos poros

Não. Não. Não.
Meus filhos não serão os mais bonitos
Mas, ainda assim, meus filhos
Meus. Meus. Meus.
E meus sonhos não serão cumpridos
Apesar de serem tão bonitos
Ou foram e já não são

Sei que não serei o primeiro
Nem o mais rápido
Nem o mais alegre
Nem o mais conformado
Nem o mais estável
Nem porra nenhuma de qualidade que me defina
E me isole
De todos que são
Um que não é

Não satisfarei todas as mulheres
Que por ventura, deitarem comigo
Quem sabe homens, oh, destino
Nesta bosta
E não satisfeito
Gritar. Gritar. Gritar!
E o céu nem sempre será azul

E meus filhos, ah, tão lindos
E bolas, bonecas, bicicletas
E quedas, quedas, quedas
E choro, ah, tão lindos
Tão. Tão. Tão.
Eu queria ter nascido só
E vivido só
E morrido só
E nascer em multidão

E contemplar a vida e dizer:
Heim?
O que diabos se tem pra viver
Mãe, Pai, Irmão
Desculpem minha alma
Ela é rebelde demais
Pra um corpo calmo demais
E pequeno demais
E cósmica, a imaginação

Já não há saída
Nunca houve entrada
Apenas quatro paredes eternas
Um caixão no fundo
E uma janela
Pro jardim mais lindo:
O da inveja

E, então, Deus e as correntes
E todos os amores que vivi
Vão-se-vão-se-vão.
Apesar de eu ficar sempre a nadar
Nadar. Nadar. Nadar.
No caos
E morrer todos os dias
Por entre as borboletas
Que afetam meu cerebelo
E cutucam
E bafejam
E esporulam
E cada bater de asas me faz explodir

Despertar e, só assim, sonhar mais uma vez
Sonhos grossos e rudes
De mulheres e virtudes
E de todos os passos que ainda terei que dar
E de todas as pessoas que morrerão ao meu toque
O toque mais pacífico de todos:
A paixão

E a vida, tão leve, lutará ferozmente
Sua inimiga: a gravidade
O prêmio: minha alma
Tão solta e tão presa
E eu digo:
- Vida, tola, pensa!
Veja que morri há mais de quatro bilhões de anos
Em uma proto-coisa ancestral
Que contaminou cada ponto deste planeta

A gravidade, pois, enraizou-se em mim
E eu sou uma força, apenas
Que tende ao centro
Que puxa ao centro
Que quer ser centro
Centro de tudo
Se quer me levar, pensa
Não leva a mim
Leva aquilo que meus olhos enxergam
E almejam

E após a explosão, a solidão
Com um universo a ser descoberto
Sozinho, com música e catapora
E com os vírus que sempre riram
E continuarão a rir
Pois é deles a sobra
E o que não é sobra
É deles a escolha de ser
Por ser
Paradoxo ou não, porém
Completo

Eu
Implodo
Para nascer

1 comentários:

Caba disse...

...acho que ainda está na hora de você partir para a ação... e planejar fugir de casa também.